Desde 3 de setembro de 2026, a Pac-Deck recebe uma quinta de Commander por semana, e cada noite deixa para trás uma pequena fotografia do que a comunidade anda jogando.
Seis quintas depois, juntamos os registros de commander de todos os eventos e fizemos uma pergunta simples: que tipo de deck os jogadores levaram para a mesa? Quais cores aparecem mais, quantos jogadores usam comandantes de partner, que estilos de jogo dominam e o que um olhar competitivo, têm a dizer sobre cada escolha.
Este texto não fala de quem ganhou mais nem de quem subiu no ranking. O foco são os decks: cores, custo, arquétipos e hábitos. Os números vêm dos eventos da loja registrados no Pareador, e as referências de arquétipo vêm de guias e listas públicas de cEDH, citadas no final.
As seis quintas
Os eventos analisados foram estes, todos na Pac-Deck:
- Commander de Quinta, 03/09/2026
- Quinta de commander!!!, 10/09/2026
- Quinta de Commander!, 17/09/2026
- Quinta de Commander!, 24/09/2026
- Quinta de Commander!, 01/10/2026
- Quinta de Commander!, 08/10/2026
O formato se manteve parecido: mesas de quatro jogadores, três rodadas, 3 pontos por vitória, 1 por empate e 0 por derrota, com a terceira rodada valendo pontos em dobro. No total foram 204 inscrições de 56 jogadores diferentes, com públicos entre 28 e 40 pessoas por noite.
Uma observação importante sobre os dados: na primeira quinta, quase ninguém registrou o commander no sistema (só um de 36 jogadores). Por isso, a análise abaixo usa as cinco quintas seguintes, de 10/09 a 08/10, que somam 134 decks com commander registrado.
Como contamos
Cada inscrição vale como um deck, então o mesmo commander usado por uma pessoa em quatro quintas conta quatro vezes. É o mesmo critério da seção "Commanders Mais Jogados" da página inicial. Para a análise, fizemos três ajustes:
- Normalizamos sete nomes de cartas que existem, digitados com erro ou escritos em português, sem mexer nos dados originais.
- Deixamos de fora dois registros que não eram cartas.
- Para decks com dois comandantes, somamos as cores dos dois e contamos o deck uma vez.
Para os arquétipos, usamos as etiquetas que a EDHREC atribui aos decks de cEDH de cada commander e os guias de arquétipos dela. Um aviso: isso classifica o commander, não a lista de quem o joga. Dois decks com o mesmo comandante podem ter planos bem diferentes, e muitos dos decks da quinta não são cEDH de fato. Eles só se parecem com as listas competitivas na escolha do comandante dentro das regras do evento.
Os commanders mais usados
Foram 55 commanders diferentes em 134 decks. Depois das duas primeiras noites com commander registrado, cada quinta ainda trouxe de 4 a 11 commanders que não tinham aparecido antes, o que mantém a mesa variada mesmo depois de várias semanas.

O comandante com mais registros foi Magda, Brazen Outlaw, com 6 aparições. Logo atrás, onze commanders empatam com 5 registros cada, entre eles Urza, Lord High Artificer, Winota, Joiner of Forces, Edgar Markov, Hearthhull, the Worldseed e a dupla Rograkh e Ishai.
Esse ranking pede cuidado ao ser lido. Quase todos esses commanders de 5 registros foram jogados pela mesma pessoa nas cinco noites. Dos 33 jogadores que vieram a mais de uma quinta com commander registrado, 23 (70%) usaram o mesmo commander em todas as noites, e só 10 trocaram. Ou seja, o ranking de "mais jogados" mede mais fidelidade ao deck do que popularidade: ninguém foi atrás de um commander porque ele estava na moda, e sim porque já tinha o deck montado e queria evoluí-lo semana a semana.
Isso combina com um comportamento saudável para um evento recorrente. Um deck jogado várias vezes é um deck que o piloto conhece.
As cores
A distribuição por número de cores ficou assim:
- Uma cor: 42 decks (31%)
- Duas cores: 29 decks (22%)
- Três cores: 43 decks (32%)
- Quatro cores: 10 decks (7%)
- Cinco cores: 9 decks (7%)
- Incolor: 1 deck
Tricolor e monocolor empatam na frente. Boa parte do tricolor vem de poucos commanders repetidos: Edgar Markov, Glarb, Helga, Hearthhull e a dupla Rograkh e Ishai somam 25 dos 43 decks de três cores. Entre os decks de uma cor, 25 dos 42 são mono vermelhos.
Sobre a presença de cada cor nos decks (um deck de três cores conta para as três):
- Vermelho: 84 decks (63%)
- Preto: 62 decks (46%)
- Branco: 59 decks (44%)
- Azul: 58 decks (43%)
- Verde: 51 decks (38%)
O vermelho é a cor dominante com folga, aparecendo em quase dois de cada três decks. Os mono vermelhos mais repetidos foram Magda, The Scarlet Witch, Rionya, Krenko e Zada, com planos que vão de artefatos e stax a combate extra e tokens. Entre os tricolores, a combinação mais frequente foi Mardu (branco, preto e vermelho), com 16 decks, seguida por Sultai (azul, preto e verde, 9 decks) e Bant (branco, azul e verde, 7).
Commanders de Partner: foram 10 decks (7%) com partner, em quatro duplas diferentes. São as duplas Rograkh e Ishai, Tymna e Thrasios, Tymna e Dargo, e Krark e Sakashima. Duplas muito comuns no cEDH, sendo que decks com partner se destacam por ser mais difícil de parar o plano do deck.
Sobre o custo, os commanders avulsos têm valor de mana médio de 3,9, e cerca de nove em cada dez comandantes são criaturas, com o restante dividido entre planeswalkers, artefatos e veículos que podem comandar.
Os arquétipos (olhando para o cEDH)
No Commander competitivo, a comunidade costuma falar de poucos arquétipos centrais. O guia de turbo da EDHREC descreve o turbo como o deck que prioriza velocidade e depois resiliência, tentando vencer antes que os outros se organizem. O guia de stax descreve o stax como a "última barreira" do formato, que primeiro impede os oponentes de agir e depois vence com calma. O guia de midrange fala em flexibilidade e resiliência, com decks que se adaptam ao que a mesa faz. Já o combo é, na prática, menos um arquétipo e mais uma forma de ganhar: ele aparece como etiqueta principal em quase todos os commanders que consultamos, inclusive nos de estilo bem diferente.
Por isso, em vez de usar "combo" como categoria, olhamos para a segunda etiqueta mais forte de cada commander e juntamos os decks em grupos:
- Combo e turbo (28 decks, 21%): commanders de plano rápido, como Dihada e Rog Ishai, além de Ob Nixilis, Helga, Ashling, Thranduil, Derevi e Tymna com Dargo. Vivi e Ral, também podem entrar nessa categoria mas normalmente são classificados como Storm e Spellslinger.
- Sem referência cEDH (27 decks, 20%): commanders sem listas competitivas relevantes que conseguimos encontrar (alguns muito novos, de coleções recentes). Isso não os torna mais fracos, só impossíveis de comparar.
- Combate, tokens e voltron (18 decks, 13%): Edgar Markov, Krenko, Rionya, Kaalia, Light-Paws e Squirrel Girl, que ganham atacando, criando exércitos, usando combates extras ou equipando um só comandante, esses decks mostraram uma leve tendência a ganhar de decks de combo mais tradicionais e com presença de board mais fraca.
- Feitiços e storm (17 decks, 13%): Vivi Ornitier, Ral, Krark e Sakashima, Crystal, Zada e The Scarlet Witch.
- Artefatos e stax (16 decks, 12%): Urza, Magda e Winota (Urza e Magda também carregam a etiqueta "Artifacts").
- Midrange e good stuff/slop (13 decks, 10%): Tymna Thrasios, Atraxa, Kenrith e Glarb, decks flexíveis que têm a etiqueta Midrange entre as principais.
- Terrenos e ramp (7 decks, 5%): Hearthhull e Aesi, com a etiqueta "Lands Matter".
- Cemitério (6 decks, 4%): K'rrik, Terra, Herald of Hope, com plano de reanimar ou usar vida e cemitério como recursos.
- Tempo e controle (2 decks, 1%): Yuriko, the Tiger's Shadow, cuja etiqueta mais comum é Tempo.

O quadro geral: um em cada cinco decks tem commander de plano combo ou turbo. Somando os feitiços, esse tipo de plano chega a um terço dos decks, e stax e midrange ficam com mais um quinto. Combate e tokens vêm logo depois, e cemitério, terrenos e tempo são minoria.
O que os resultados sugerem
Juntamos também o desempenho de cada grupo nas partidas. A taxa média de vitórias foi de 21,7% por partida. Ela fica abaixo de 25%, o que seria o esperado numa mesa de quatro, porque quase uma em cada quatro mesas termina sem vencedor: foram 35 de 150 mesas fechadas.
- Feitiços e storm: 30,6% de vitórias, em 49 partidas.
- Midrange e good stuff: 30,8%, em 39 partidas.
- Artefatos e stax: 30,4%, em 46 partidas.
- Combo e turbo: 24,7%, em 81 partidas.
- Cemitério: 17,6%, em 17 partidas.
- Sem referência clara: 15,0%, em 80 partidas.
- Combate, tokens e voltron: 13,2%, em 53 partidas.
- Terrenos e rampa: 5,0%, em 20 partidas.
Os três grupos mais fortes (feitiços, midrange e artefatos/stax) juntos vencem em 30,6% das partidas, contra 12,5% dos grupos de combate e voltron, terrenos, cemitério e tempo. A diferença é grande, e mesmo assim não prova que o arquétipo é a causa. Cada commander costuma ter um único piloto fixo, então o resultado mistura o deck com a habilidade e a experiência de quem joga, e as partidas de uma mesa não são independentes entre si. Com 17 a 81 partidas por grupo, a margem de erro também é grande.
Sobre cores, o número de cores quase não fez diferença: mono, duas e três cores ficaram entre 20% e 22% de vitórias, e quatro e cinco cores ficaram um pouco acima (31% e 26%), mas com menos de 30 partidas cada. Decks com azul venceram mais (28,8%, contra 17,6% dos decks com preto), o que combina com a presença de commanders azuis nos grupos de feitiços, artefatos e midrange. Os pares de comandantes também foram bem (33% de vitórias em 30 partidas), por mais que sejam poucos decks.
A leitura honesta é a seguinte: os decks cujos commanders aparecem em listas de cEDH com plano definido (feitiços, stax e midrange) tiveram desempenho melhor, mas ainda faltam semanas de dados para separar o efeito do arquétipo do efeito do piloto.
O que levar para a próxima quinta
- Escolha o commander pelo plano, não só pelas cores. Dois decks vermelhos podem ser um deck de turnos extras de combate e um de combo de feitiços, e a mesa se comporta de modo diferente contra cada um.
- Mantenha o deck por algumas semanas. O hábito dominante da comunidade (um piloto, um deck, várias noites) ajuda a evoluir a lista e a conhecer as próprias decisões.
- Teste uma cor diferente. O vermelho está em quase dois de cada três decks, e o verde e o azul aparecem menos. Um deck de cores menos comuns tende a surpreender.
- Cadastre o commander na inscrição. Foi o que impediu uma análise melhor da primeira quinta, e ajuda a montar este tipo de leitura.
Fontes e leitura adicional
- EDHREC Guide to cEDH Turbo, EDHREC
- EDHREC Guide to cEDH Stax, EDHREC
- cEDH Midrange, EDHREC
- cEDH Deck Guides, Commander's Herald
- Yuriko, the Tiger's Shadow, página cEDH, EDHREC (etiquetas consultadas em 9 de outubro de 2026)
- Winota, Joiner of Forces, página cEDH, EDHREC (idem)
- Scryfall, dados de cores, custo e tipo das cartas
